Direitos de imagem no futebol: uma verdadeira patacoada

"Globo, a gente se vê por aqui". De novo!?

A renovação dos direitos de imagem dos times de futebol brasileiros para com as emissoras da TV aberta nada mais tem sido do que uma verdadeira novela. Por direito, a RedeTV! era a única que deveria ter por exclusividade a transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro a partir do ano que vem. Porém, o poder, o dinheiro e as mais estranhas estratégias que você possa imaginar entrou no jogo. É analisando alguns fatos que vemos como o futebol já foi mais limpo.

A começar, vimos bem antes do inicio do “leilão” os principais clubes brasileiros ensaiarem o racha com o Clube dos 13, entidade que então negociava esses contratos. Misteriosamente (sic), foram os clubes que mais receberam dinheiro da então atual detentora dos direitos, a Rede Globo, e uma das primeiras a assinarem o contrato com a emissora em caráter individual. Como sempre consegue o que quer no Brasil, a emissora dos Marinho calou o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e acabou acertando com quase todos os times do país ligados à entidade.

A Record, que hoje nem tão rival da Globo é, ofereceu preços exorbitantes para Corinthians e Flamengo, maiores times do Brasil e que, consequentemente, dão audiência (?). Atacou a rival das melhores (ou piores) maneiras possíveis, porém, calou-se rapidamente ao ser questionada sobre a origem de tanto dinheiro oferecido. Apesar de mais uma vez ter perdido a batalha, a emissora da Barra Funda pode até comemorar: em audiência, o efeito não seria o que mais se procura por lá. Porém, ficou no ar a dúvida – nem tão duvidosa assim –: de onde vêm as cifras?

E a RedeTV! ? Poderá ela ser considerada como uma cobaia? É capaz. Para que a emissora de Osasco possa transmitir os jogos, é necessário que a maioria dos clubes estejam de acordo, 20 precisamente. Porém, nenhuma equipe é a favor pelo fato mais óbvio: numa rede em que os 5 pontos são comemorados com festa, onde é que venderei a imagem de meus patrocinadores? Independente disso, Amílcare Dallevo já bateu o martelo e liberou a verba para a compra de equipamentos caríssimos e de alta definição, claro, levando a consideração de que a esperança é sempre a última que morre.

No fim das contas, a Globo sempre consegue o que quer. A Record tenta, grita, mas no fim abaixa a cabeça e, para completar, a RedeTV! apenas serviu para constar num contrato que, pelo visto, ficará trancado na gaveta de alguma mesa, já que pelo andar da carruagem o Clube dos 13 está se desmanchando a cada dia que passa. E o telespectador? Fica preso aos horários em que já estão habituados, porém reclamam que as partidas de quarta-feira são tardes demais. A junção da acomodação daquele que assiste perante as condições de transmissão, mais o poder e “vaidade” da Vênus platinada faz com que mais uma vez isso seja dito: o futebol já foi mais limpo. E muito.

Texto de João Amaro
Você também pode ler esse texto no blog do João Amaro: www.joaoamaro.com.br/blog

CHAMADA – CTV Notícias

TV Digital no Brasil: De rico pra mico

A realidade constante da "inovadora" tecnologia implantada no Brasil

Já faz um tempinho em que assistimos, lemos e ouvimos nos meios de comunicação a divulgação em massa da então revolucionária TV Digital. Imagem e som de cinema e uma interação nunca antes vista foram os argumentos ‘políticos’ para promover a nova (aqui) tecnologia. Porém, o entusiasmo inicial parece que não se firmou na atualidade.

A realidade é que em pleno ano 2011, são poucas as pessoas que detém da possibilidade de assistir a TV aberta em sinal digital. Só na grande São Paulo, estado pioneiro na implantação, muitas ainda são as críticas sobre a qualidade do serviço, que trava, falha, treme, distorce, sem contar a falta de cuidado das emissoras na transmissão em caráter HDTV. Além disso, os conversores, que segundo o então Ministro das Comunicações da época Hélio Costa, seriam vendidos a preço de banana ainda estão inacessíveis para àqueles cidadãos que hoje ainda possuem aparelhos de TV antigos, as chamadas TV’s de tubo.

Será que ao desligar a transmissão analógica, acontecimento datado para o dia 29 de junho de 2016, toda a população brasileira estará com a atual cobertura de 99% em sinal de digital? Ou será um prazo prorrogado, como tantos outros que aqui são? Difícil não é prever que todos terão, e sim, se todos terão. No segundo semestre de 2010, somente 48 emissoras incluindo as chamadas ‘cabeças de rede’ estavam transmitindo sua programação em alta definição, o que ainda reforça o despreparo estrutural para esse tipo de transmissão, após quatro anos do inicio da implantação da tecnologia.

Considerar a muito contragosto que ainda somos por muitos tratados como “país de terceiro mundo” até podemos. Porém, em hipótese alguma, podemos ser submissos a gastar absurdos para se enquadrar a padrões de tecnologias por capricho do nosso governo. Enquanto as promessas de interagir com os apresentadores, consultar programação como na TV a cabo, gravar seus programas ou até mesmo pausá-los ainda perduram, grande massa da população ainda precisa, poucas vezes, do bom e velho Bombril na ponta da antena. Essa novela não chegou nem na metade.

Por João Amaro

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