“Tomara que ela volte a ser vilã”, diz Mariana Ximenes sobre Clara

Mariana Ximenes em um intervalo de gravação de Passione (27/10/10)

A fase boazinha de Clara, personagem de Mariana Ximenes em “Passione“, parece não estar convencendo a atriz. “No momento, ela aparenta estar mudada, mas não sei o que está por vir. Tomara que ela volte a ser vilã”, torce. Mariana sinaliza que a agressividade da golpista continua dentro dela, só que agora o foco é Valentina (Daisy Lúcidi), a quem chama de “velha porca”. “Clara teve muitos embates com a Valentina. Nas gravações, eu fico apavorada com a possibilidade de machucar a dona Daisy, que é uma fofa”, conta.

Prova de que a mudança no comportamento de Clara não convence Mariana é que ela aposta em sua personagem para ser a assassina de Eugênio (Mauro Mendonça) e Saulo (Werner Schünemann): “Acho que ela pode ter cometido esses crimes. E estar envolvida em um grande mistério é sempre bacana”.

A atriz não é a única a sentir falta das maldades da época em que Clara era vilã. “Esses dias encontrei o [Reynaldo] Gianecchini almoçando no Projac e ele reclamou que a gente não se encontra mais”, diverte-se.

Apesar da saudade do colega de cena, nas ruas, o público aprova a Clara boazinha. “Sinto que as pessoas querem que ela tenha um final feliz. Acho que o brasileiro é um povo otimista, que acredita na redenção da personagem”, avalia. A atriz credita a bondade súbita de Clara ao amor que ela tem por Kelly (Carol Macedo). “Esse afeto é de verdade, assim como a saudade do Totó [Tony Ramos]. Ela enxerga nele as possibilidade de uma vida que ela nunca teve”, argumenta.

Mariana lembra que o fato da transformação de Clara traz à tona uma discussão interessante: ter sido criada sem afeto justifica as maldades dela? Para atriz, a resposta é não. “Ela sofreu por ter sido explorada sexualmente pela avó, que a vendia para seus clientes, mas isso não lhe dá o direito de descontar sua raiva no mundo”, pondera. 

Entre as cenas preferidas da atriz está a que Clara é expulsa da casa de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro), no início da trama. “Quando toda a família se reúne na sala da mansão para enxotar a minha personagem foi muito bacana. E quando Clara volta à mansão, de mãos dadas com o Totó também foi muito bacana”, lembra.

Contracenar com profissionais como Tony Ramos, Leonardo Villar, Fernanda Montenegro, Aracy Balabanian e Cleyde Yáconis é uma oportunidade preciosa, segundo a atriz. “Aprendo sempre com eles em cena e também nos bastidores. “A gente discute sobre tudo e tenho aprendido até sobre política com eles. Cada trabalho me modifica porque passo um ano convivendo com pessoas diferentes”, garante.

Inf. Uol

PopTevê – Daisy Lúcidi comemora repercussão do papel como a ‘vovó do mal’ em “Passione”

Daisy Lúcidi interpreta Valentina Miranda em "Passione", a viúva e amiga de Candê (Vera Holtz) e que maltrata a neta Kelly (Carolina Macedo)

As bijuterias chamativas e os retoques na maquiagem evidenciam a vaidade de Daisy Lúcidi. No ar em “Passione”, a atriz teve de adotar um cabelo desarrumado, roupas desalinhadas e quase nenhuma maquiagem para dar vida à megera avó Valentina. Mas aparecer com o visual “enfeiado” na novela das nove não chega a ser um tormento para ela. “Tenho de enfrentar pela personagem. Espero ter a oportunidade de, um dia, aparecer bem-vestida e bem-penteada”, ressalta. Enquanto o ar desleixado de Valentina não incomoda Daisy, adaptar-se ao esmalte marrom escuro escolhido para o papel levou algum tempo. “Era acostumada a só usar branco. Na hora pensei: ‘que cor horrorosa’. Mas me acostumei e agora já gosto”, conta.

Na pele da avó má que explora sexualmente as netas Clara e Kelly, vividas por Mariana Ximenes e Carol Macedo, respectivamente, Daisy sente a repercussão da vilã nas ruas. Dia desses, enquanto tomava café na Praça Mauá, centro do Rio de Janeiro, a atriz ouviu de xingamentos a elogios por seu trabalho na trama de Silvio de Abreu. “Um homem me disse: ‘A senhora está ótima, mas não vá na baixada, porque lá a senhora apanha'”, lembra. Depois de passar 30 anos longe da TV para se dedicar à política –ela voltou às novelas como a síndica rabugenta Iracema de “Paraíso Tropical”, escrita por Gilberto Braga, em 2007–, Daisy se surpreende com a repercussão atual. “Acho curioso como as pessoas se sentem atraídas pelo mal. É engraçado”, destaca.

Apesar do entusiasmo atual com a cafetina, Daisy não esconde que, no começo, sentiu medo ao saber que interpretaria uma malvada. Acostumada a personagens mais leves e do bem tanto no teatro como na televisão, a atriz ficou preocupada sobre como seria a composição do papel. “Nunca tinha feito uma vilã. Em ‘Paraíso Tropical’, a síndica tinha princípios morais. A Valentina não. Ela é dissimulada”, analisa ela, que buscou em si própria elementos para compor o papel. “Depois de ver as primeiras fotografias que tirei com o visual da personagem, o Silvio achou que eu estava muito arrumada”, conta. Daisy também se preocupou em engordar alguns quilos e andar arrastando os chinelos para intensificar o jeito desleixado. “Os meus filhos e netos me perguntam onde arrumo aquelas caras da Valentina”, conta, entre risos.

A volta à telinha foi por acaso. Uma amiga em comum de Daisy e o autor Gilberto Braga comentou que a atriz estava afastada da política. Dessa conversa surgiu o convite para atuar em “Paraíso Tropical”. “Ele me ligou perguntando se eu queria fazer. Na hora, eu fiquei receosa, mas o Gilberto disse que atuar era igual a andar de bicicleta. Uma vez que aprende, não esquece mais”, conta, lembrando que se surpreendeu com o destaque que recebeu como a síndica. “O ator quer ver o resultado, quer ser reconhecido. Estava há tanto tempo sem fazer nada que foi uma surpresa para mim”, confessa. Mas voltar aos estúdios teve um ar de novidade para a atriz. “É completamente diferente fazer uma novela hoje. É mais técnico, mais trabalhoso e também mais bonito”, ressalta.

Desde que deixou a política, na qual atuou como vereadora e deputada estadual, e voltou à televisão, Daisy espera fazer muitos trabalhos em novelas. Só não pretende repetir a dose tão cedo. “Não quero ficar estigmatizada e ficar fazendo vilã a vida inteira. Espero que me chamem para outros trabalhos, porque quero continuar na TV”, enfatiza ela, que ainda comanda diariamente o programa “Alô, Daisy!”, há 39 anos, na Rádio Nacional.

Por: Natalia Palmeira

Uol Televisão

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