‘Crítica & Opinião’: “Pé na Cova: comédia e reflexão”


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Pé na Cova: comédia e reflexão

Por Matheus Balbueno

Pé na Cova estreou na Rede Globo em janeiro desse ano e, com apenas a metade da primeira temporada exibida, a segunda temporada já é uma certeza e a terceira tende a se confirmar em breve. Tudo isso prova que o mais novo seriado de Miguel Falabella é um sucesso tanto de público como dentro da própria emissora que o avaliou como uma das mais bem sucedidas produções dos últimos tempos da linha se shows.

O seriado tem um tema ardiloso, difícil de lidar, polêmico, mas o texto de Miguel Falabella consegue equilibrar o humor com o assunto ‘morte’. O texto, por muitas vezes ingênuo, é a prova de que o real talento de Miguel está nos seriados de humor (tanto escrevendo, como atuando), ele consegue diálogos simples, objetivos e ao mesmo tempo de extrema complexidade de interpretação, o que é raro de se ver nas produções dramatúrgicas atuais onde o telespectador tem sua inteligência menosprezada devido ao didatismo dos textos.

No programa tudo é muito bem balançado, o humor, a acidez, o respeito e a reflexão. O princípio fundamental do seriado é brincar com a ideia de sobreviver através da morte, como a família de Ruço (Miguel Falabella) faz sendo dona de uma funerária, a ‘Funerária Unidos do Irajá’ (F.U.I.). O Irajá representado ali é uma obra de ficção e sinônimo de qualquer bairro de classe baixa onde as pessoas precisam lutar para garantir o sustento. E é através desse princípio de sobreviver da morte que vemos as grandes articulações de Miguel escrevendo humor, mas pensando no algo a mais, pensando em questões sociológicas e antropológicas do cotidiano que são rebatidas com tiradas muitas vezes sarcásticas que dão o tom de humor ácido ao programa.

Para por em prática esse projeto de seriado de humor com algo a mais que o humor, Falabella precisa de grandes artistas para dar vida aos seus diálogos que sem a interpretação realista seriam apenas uma obra abstrata. O autor conseguiu reunir entre novos e conhecidos talentos um elenco ideal para o seriado, atores que podem fazer humor, drama ou até mesmo um ‘humor-drama’ como na maioria das vezes.

Provando essa teoria temos Marília Pêra em um dos seus melhores papeis na televisão, a mesma Marília que carrega o estereótipo de interpretar apenas ricaças grã-finas conseguiu abrilhantar o elenco de Pé na Cova com sua perfeita atuação como Darlene, esposa de Ruço. Representando muito bem os novos talentos temos Sabrina Korgut interpretando a empregada doméstica Adenóide, a personagem mais miserável do seriado já que é alguém que trabalha para pessoas que já são pobres. Sabrina conseguiu tornar Adenóide uma figura popular, tanto nos momentos em que carrega a personagem no drama ou nos momentos que faz piada da sua própria situação.

E não só apenas elas demostram o talento do grande elenco de Pé na Cova, praticamente todos ali presentes estão perfeitos em suas interpretações, talvez, apenas, Daniel Torres não tenha achado o tom certo de seu personagem (Alessanderson, filho de Ruço e Darlene) e fica soando como um personagem um tanto quanto forçado, mas nada que atrapalhe o seu desempenho geral ou dos outros presentes em cena.

Talvez muito da parte apenas humorística de Pé na Cova seja uma colcha de retalhos de ‘Sai de baixo’ e ‘Toma lá dá cá’, os outros seriados de humor de Falabella, mas nada que possa atrapalhar o propósito das situações de comédia. A sensação de déjà vu pode acontecer pela formação do elenco principal ser uma estrutura familiar, assim como nos outros seriados de Falabella, mas o que não tira de mérito de seguir o célebre ditado popular “em time que está ganhando não se mexe”, já que o autor consegue lidar com o cotidiano familiar e fazer dele o pano de fundo para as melhores sacadas do seriado é totalmente aceitável que esse pano de fundo se mantenha.

Pé na Cova é um seriado que promete, além de umas boas risadas, algumas reflexões sobre o cotidiano e sobre a vida. O próprio tema central do seriado, a morte, ou os outros temas que se apresentam como a opção sexual da filha de Ruço ocasionando o preconceito por parte do próprio pai, podem dar margem para muitas reflexões e pensamentos sobre o que e quem somos. Os diálogos entre Ruço e Darlene, geralmente encerrando os episódios, deixam no ar uma atmosfera reflexiva par ao público pensar sobre os temas desenvolvidos naquelas situações apresentadas ao longo do episódio.

Enfim, Pé na Cova é um sucesso que promete mais sucesso, mais sucesso no humor, nas reflexões, no texto, no elenco, na emissora… A já confirmada segunda temporada contará com mais um reforço de peso no elenco, Ney Latorraca interpretará o médico picareta Dr. Zoltan já comentado no seriado diversas vezes, outra fórmula que deu certo em ‘Toma lá dá cá’ com o personagem ‘Seu Ladir’ que Falabella usa em Pé na Coava e promete obter mais um êxito no seriado que vai do humor ao drama reflexivo sem esquecer-se do público que o assiste.

Então por hoje é isso pessoal e semana que vem tem mais, no sábado ás 21hs aqui no O Canal.

Não deixem de comentar e dar sugestões a essa coluna!!!

E muito em breve a volta de mais uma coluna de sucesso aqui no O Canal: ‘Novelas em Foco’.

Para contato com o colunista: matheusbalbueno@msn.com

06/04/13 – Matheus Balbueno – Redação O Canal

3 Responses to ‘Crítica & Opinião’: “Pé na Cova: comédia e reflexão”

  1. Matheus Antonio says:

    td isso é vdd, incrivel

  2. Lima says:

    Cara, tudo isso é verdade, e pra completar a série é otima!

  3. Lima says:

    Parabéns pelo ótimo texto!

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