“Talk show” de Luciana Gimenez sugere destaque a gafes


À primeira vista, a fórmula dos “talk shows” parece encantadoramente simples. Basta um sofá, um entrevistador razoavelmente bem-informado e desinibido e um ou dois convidados que “rendam”. Claro que na prática não é bem assim.

Mas esta aparente simplicidade, somada aos custos relativamente baixos de produção, fez com que o formato proliferasse feito capim depois da chuva. Os “talk shows” eram raros na TV brasileira até uns 20 anos atrás, apesar do pioneirismo de Hebe Camargo. Mas hoje, graças principalmente ao impacto de Jô Soares, não há emissora que não tenha os seus.

Ontem chegou a vez de Luciana Gimenez ganhar o dela. É visível a intenção da apresentadora de se afastar da bagunça que era o finado “Superpop”. Seu antigo programa descambava fácil para as polêmicas vazias, e Luciana soltava tantas pérolas absurdas que foi apelidada de “Lucianta” pelo colunista José Simão.

Mas de boba a moça não tem nada. Calejada por mais de dez anos em frente às câmeras da Rede TV! (e muitos mais de exposição à mídia), ela aprendeu a rir de si mesma e a transformar seus defeitos em qualidades. Um programa de entrevistas mais intimista é um passo natural em sua carreira, deixando para trás o circo do “Superpop” e embalando-a de forma mais atraente para os patrocinadores.

“Luciana By Night” estreou ontem sem deslizes, mas também sem ousadia. O cenário algo pobrinho segue o clichê instituído pelos similares americanos: vistas noturnas de uma grande metrópole (no caso, São Paulo). Jura que não havia outra maneira de passar o conceito “na noite” sem repetir o que quase todo mundo já faz?

Não há músicos em cena, ao contrário do “Programa do Jô” (Globo) ou do “Agora É Tarde” (Band), de Danilo Gentili. Apenas a presença do humorista Diogo Portugal, que também assina o roteiro do programa. De vez em quando, suas intervenções funcionam, de vez em quando, não. É normal.

A estreia teve Ana Hikcmann como convidada, mas não foi o primeiro programa a ser gravado. Luciana chamou diversas vezes para o programa da semana que vem, quando receberá Raul Gil. Mostrou cenas deste encontro, dando a entender que o grande momento é quando o apresentador escorrega e cai no chão.

Este é um enfoque curioso da produção do “Luciana By Night”. Dá a entender que nada supera em interesse os erros em cena, os tombos, as gafes. A brincadeira de mímica entre Luciana e Ana parecia querer apenas gerar momentos de doce constrangimento entre as duas, impelidas a imitar (mal) figuras como Chaves ou Zacarias.

Foi um papo de comadres, com juras de amor eterno e farta troca de elogios. Nenhum sinal de rivalidade entre as duas. Nenhum tema espinhoso, também: a anfitriã não tocou nas brigas públicas que sua colega da Record teve com Chris Flores e Adriane Galisteu, o que poderia ter aumentado a temperatura do bate-papo e o interesse do telespectador.

Luciana Gimenez assume que sua principal inspiração é Ellen De Generes, que consegue combinar como ninguém, em seu programa na TV americana, perguntas incisivas aos convidados com uma leve tiração de sarro (inclusive de si mesma). É um ótimo modelo a seguir, mas pela estreia de ontem ficou claro que ainda falta muito. Esforce-se mais, Lu: nisto você é craque.

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