Em ‘Máscaras’, autor recoloca o galã como figura central


'Máscaras' é exibida de segunda a sexta, às 22h15, na Record. Foto: TV Record/Divulgação

‘Máscaras’ é exibida de segunda a sexta, às 22h15, na Record

Na contramão do tradicional lugar de destaque das mulheres na teledramaturgia brasileira, as novelas de Lauro César Muniz são centralizadas na força de personagens masculinos. Com a história focada nos heróis errantes, Lauro César já apresentou ao público figuras marcantes, como os ambíguos Antônio Dias, de Escalada, exibida em 1975, e Renato Villar, de Roda de Fogo, de 1986, ambos defendidos por Tarcísio Meira. De volta ao ar com Máscaras, da Record, o autor parece querer devolver as rédeas da trama ao galã. Neste caso, Otávio, de Fernando Pavão. É ele quem vai passar a novela toda à procura de pistas que possam esclarecer o sequestro de sua mulher, Maria, de Miriam Freeland, e de seu filho recém-nascido. No entanto, Pavão mostra falta de estofo para dar vida a este protagonista. O problema não reside apenas no desempenho do ator, mas também pela falta de equilíbrio entre o texto de Lauro César e as imagens capitaneadas por Ignácio Coqueiro. Autor e diretor já trabalharam juntos em Cidadão Brasileiro, de 2006, ePoder Paralelo, de 2009.

Enquanto o autor exagera no tom poético e didático da maioria dos diálogos, o diretor endossa os excessos em cena, o que deixa as sequências artificiais. Por conta disso, a maioria das atuações são comprometidas por um forçado ar teatral. Em especial, as cenas iniciais de Miriam Freeland, na pele de uma mãe que sofre de depressão pós-parto. E das irmãs Tônia e Luma, de Daniela Galli e Karen Junqueira, respectivamente. Muito do didatismo da trama vem dos assuntos abordados em Máscaras. Para explicar a depressão de sua mocinha, Lauro César recorre a um conceito tirado de qualquer enciclopédia médica. Além disso, a política, tema constante na maioria das tramas do autor, marca presença em discussões fora de contexto, onde os personagens falam sobre a repercussão do governo da presidente Dilma Rousseff, ou da atual fragilidade econômica dos Estados Unidos, explicitada por frases panfletárias de efeito como “A América brochou!”.

Apesar do tom acima, a produção se sai muito bem ao mostrar a capacidade de Lauro César em criar personagens complexos, onde não se sabe muito bem quem é mocinho ou bandido. Atores já enturmados com o estilo do autor, como Petrônio Gontijo e Paloma Duarte, roubam a cena e surgem como motivos para acompanhar a trama. Mesmo precisando de ajustes em sequências dramáticas e cotidianas, a direção de Coqueiro apresenta-se bem nas cenas de ação. Outro mérito do diretor é que mesmo em uma história com ambientação itinerante – que mescla cenas gravadas na cidade de Dallas, no Texas, no interior do Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro e a bordo de um transatlântico -, ele consegue dar unidade artística ao trabalho, que já nasce representativo por se tratar da anunciada última novela em formato tradicional de Lauro César.

Máscaras – Segunda a sexta, às 22h15, na Record.

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