“As Brasileiras” amplia universo de “As Cariocas”, mas apela


'As Brasileiras' tem estilo diferente de série predecessora. Foto: Divulgação

‘As Brasileiras’ tem estilo diferente de série predecessora

Uma coisa sempre surge de outra. É assim com as ideias, com a história dos homens e com a própria história natural. Até, pelo menos, o Big Bang. Então nada mais coerente que As Brasileiras, nova série da Globo, seja uma espécie de sequência de As Cariocas, por sua vez, inspirada no livro de contos homônimo de Sérgio Porto.

Nesta nova fornada, são 22 episódios que mantêm a estrutura que o escritor carioca deu ao seu livro, com histórias curtas protagonizadas por mulheres inteiramente diferentes umas das outras.

Na TV, As Cariocas terminaram aproximando dois universos particulares que convivem na mesma geografia carioca. Primeiro, a crônica sociológica de Sérgio Porto, na qual, através das mulheres de diferentes bairros do Rio de Janeiro, ele construía situações e personalidades distintas que refletiam o “avanço” ou o “atraso” destas regiões da Zona Sul e da Zona Norte da cidade. E, em segundo lugar, a literatura de Nelson Rodrigues, com suas obsessões, delírios e desejos que se encaminham para um destino trágico e fatalista.

Como Dainel Filho, produtor tanto de As Cariocasquanto de As Brasileiras, já tinha dirigido na Globo A Vida Como Ela É, do mesmo Nelson, em 1996, a aproximação destas histórias curtas é bastante natural.

Pena que o episódio de estreia – A Justiceira de Olinda, com Juliana Paes e Marcos Palmeira – não tenha nada a ver nem com um escritor nem com o outro. Não sobrou nada aqui do texto elegante e da narrativa fluente de Sérgio Porto em uma história de um homem que tem o pênis cortado por uma mulher ciumenta. E muitíssimo menos a ver com o moralismo torcido de Nelson.

Expressões como “cuidar da ecologia do seu passarinho e de sua periquita” ou “o troço vai levantar?” se mostram distante do estilo dos originais. Claro, As Brasileiras não tem obrigação de seguir nem um nem outro autor. Mas como foi apresentada como uma continuação de As Cariocas, a diferença se torna gritante.

Como a nova série estreou com bom ibope de vinte pontos, certamente o tom escandaloso deve se manter em muitas histórias. Pena. Mais uma vez a ideia de popularização passa pelo grotesco, solução mais que previsível. As brasileiras merecem mais.

 

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