Armando Babaioff fala sobre o indeciso Thales de “Ti-Ti-Ti”


O ator Armando Babaioff (14/3/2011)

Esta é segunda vez que Armando Babaioff, o Thales de “Ti-Ti-Ti” faz um personagem homossexual na carreira. A primeira foi no espetáculo “Quietude”. “Na peça teve beijo. Na TV eu acho complicado, principalmente pelo horário. Tenho certeza de que não vai ser essa novela que vai inaugurar. Não serei eu a entrar na estatística”, brinca. Na reta final do folhetim de Maria Adelaide Amaral, o personagem de Babaioff mostra certa insegurança frente as investidas de Julinho, vivido por André Arteche, para assumir o relacionamento entre eles.

Thales começou a novela como um surfista dono de uma confecção. O problema era que só herdaria a fortuna de sua família se ele aceitasse se casar. “Tudo que eu sabia do era o que tinha na sinopse. O nome, o que ele fazia, mas não dizia ao certo a função dele na trama”, conta. A escolhida para ser sua esposa foi Jaqueline, vivida por Cláudia Raia. Mas a relação pouco lembra a de marido e mulher, pois ela virou conselheira afetiva do rapaz.

Como foi o seu processo de criação para o Thales de “Ti-Ti-Ti”?
Por ser um personagem da praia e pelo fato da novela se passar em São Paulo, então na minha concepção eu sabia que eu tinha de alguma maneira “levar esse sol” para São Paulo. Foi uma metáfora que criei para mim. Ele não estava vindo de Saquarema à toa. Ele não estava vindo de alguma praia à toa. Na mesma hora me veio um personagem solar, pra cima. Quem pratica o surfe não é uma pessoa parada. Então tive essa preocupação para poder ter algum suporte onde me agarrar.

Que característica te atrai na profissão?
O processo criativo me seduz em qualquer instância. Gosto de criar. Para mim a parte mais divertida é a criação. E fazer novela é muito divertido porque você está fazendo algo que acaba, mas ela só conta um período da história de vida destes personagens, então é um personagem que não vai estar acabado.

Quando você viveu o encrenqueiro Felipe, de “Páginas da Vida”, teve de aprender artes marciais. Qual a importância deste tipo de laboratório na sua interpretação?
Tive a oportunidade de fazer algo completamente fora de minha realidade. Eu nunca tinha frequentado aulas de jiu-jitsu, judô, karatê. Tive a chance de estudar isso durante dois ou três meses. Foi muito bom esse “mergulho”.

Na novela “Duas Caras”, o Beloniel deixou de ser um vagabundo para procurar emprego. Como você lida com a função do marketing social na interpretação?
Contávamos a história da dificuldade de se conseguir um primeiro emprego e como tirar uma carteira de trabalho. Isso foi muito positivo porque eu via a reação das pessoas nas ruas. Uma mãe já me falou: “Você é um exemplo dentro da minha casa”. É muito bom você poder contar uma história e essa história ter uma função para a sociedade. Eu acho muito válido.

Essa entrevista foi concedida pelo UOL

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